golaço

Friday, October 27, 2006

BANGU - UMA BELA HISTÓRIA

Títulos estaduais, uma conquista internacional, excelentes jogadores e renomados treinadores. Um clube sem grande torcida, mas inovador, com feitos marcantes dentro e fora de campo. Esses dados históricos indicam que estou falando de uma potência do futebol brasileiro, certo? Não. Na verdade, as glórias permanecem apenas na memória dos torcedores mais antigos. Com 102 anos, o Bangu Atlético Clube, da zona Oeste do Rio de Janeiro, passa por um martírio, que parece não ter fim.


Depois de cair para a 2ª divisão em 2004, o alvirrubro tenta encontrar forças para retornar à elite no Estado. Sob a presidência de Rita de Cássia Trindade, uma das poucas mulheres á frente de um clube de futebol, o Bangu quer disputar o Carioca de 2007 ao lado de Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo.


O clube é responsável por uma das maiores vitórias que a sociedade brasileira - e não só o esporte - conseguiu: foi o primeiro a colocar em campo um jogador negro, em 1911. 22 anos mais tarde, ( 33) o Bangu conquistaria o seu primeiro título estadual. Ladislau, o maior artilheiro a vestir a camisa vermelha e branca ( 215 gols) fez parte dessa campanha. Pouco antes( 1926-1928), Fausto, que jogou a Copa de 30, no Uruguai, já havia brilhado no Bangu. E a fábrica banguense ainda tinha um diamante no cofre. Um ano após Fausto deixar a equipe, o alvirrubro revelaria um dos maiores zagueiros de todos os tempos: Domingos da Guia, até então, "somente" o irmão do goleador Ladislau.


Outro motivo de orgulho para o clube foi o fato de Zizinho, para muitos melhor que Pelé, atuar pelo clube entre 50 e 57. Nessa época, o Bangu chegou a ser dirigido pelo "filosófico" e engraçado treinador Gentil Cardoso ( 57-58).


Depois do título de 33, e algum tempo sem resultados muito expressivos, o bicolor viveu o seu momento dourado: a década de 60, que merece um capítulo especial no "livro" do Bangu. Além de levantar o "caneco" estadual em 66, os banguenses venceram, também, o Torneio de Nova York. Nessa competição, com 12 times, sendo 10 da Europa, ficaram pra trás times como Sporting-POR ( 5x1) e Sampdoria-ITA ( 4x0). Em 61 e 62, Ademir da Guia fez por merecer o sobrenome, e antes de se consagrar no Palmeiras, encantou os cariocas. O nome de Zózimo, bicampeão Mundial ( 58 e 62), também está registrado nos arquivos do clube.


Enquanto o país passava por grande turbulência devido à Ditadura Militar, o Bangu não tinha do que reclamar. Nesse período, craques brilhavam nos gramados e no banco de reservas. O time teve grandes treinadores como Elba de Pádua Lima (Tim) e o folclórico Gentil Cardoso, que retornou em 65. Além deles, o craque Zizinho trocou as chuteiras pela prancheta e dirigiu a equipe no ano do título Carioca.


Na decisão do Carioca de 66, contra o Flamengo( 3x0), uma confusão generalizada entre os jogadores dos dois times manchou a conquista. Mas, o tumulto fica em segundo plano, diante da façanha alcançada. Com toda a justiça, são tidos como heróis pelos banguenses, atletas como Paulo Borges - artilheiro do estadual com 16 gols - Aladim e Ocimar ( os autores dos gols na final); além de Ladeira e Ubirajara, o maior goleiro que já passou pelo Bangu.


Depois de passar por um longo período de seca nos anos 70, o Bangu foi resgatado por Castor de Andrade - membro da diretoria em 66 - na década seguinte. O clube ocupou, novamente, um lugar de destaque no cenário carioca. Foram 3 finais estaduais e um vice Brasileiro entre 83 e 85. Apesar de não levantar troféus, o Bangu conseguiu dividir as manchetes de jornal com as forças do Rio.


Nos últimos 25 anos, passaram pelo time de Moça Bonita ( apelido do estádio do clube) técnicos conceituados como Zagalo e Jorge Vieira, além do "Xerifão" Moisés. Financiados por Castor, atuaram no Bangu craques como Marinho, Mauro Galvão, Gilmar ( goleiro), Arturzinho, Cláudio Adão e Neto.


O futebol e o bairro formam um paradoxo. Se por um lado, Bangu é o lugar mais quente do Rio, por outro, o esporte no clube vai esfriando a cada dia. Desde o afastamento do seu mecenas, o time da Zona Oeste vem afundando de maneira assustadora. Se não houver uma mudança de rumo, em pouco tempo, as novas gerações só vão conhecê-lo pelos livros de História.


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Eu SOU o PÃO da vida; o que vem a MIM,
jamais terá fome; e o que crê em MIM,
jamais terá sede
João 6-35

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escrito pelo jornalista Flávio Prieto

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